Sim, nessa mesma ordem.
Há
rotineiramente algumas discordâncias a respeito de tal assunto, o qual é bem
compreensível, baseando-se num comparativo de evolução das relações (Baunilha e
D/s).
Com
intuito de contribuir de alguma forma nesse sentido, e por compartilhar das
mesmas concepções, exponho abaixo um texto sucinto do Mestre Jot@ SM, o qual remete ao assunto de forma que contribua em termos de
conhecimentos àqueles que se dedicam a boas fontes.
Oportunamente,
externo aqui o amor que carrego e dedico à minha submissa vênus luna, a qual me
orgulha pelo ser que é. Momento também que venho explicitar a todos os nossos
visitantes, que foi exatamente nesse UNIVERSO
denominado BDSM, que buscávamos por nós mesmos, e enfim acabamos por nos encontrar.
A partir daí, mergulhamos sem faltar o fôlego, a fim de
distanciarmos continuamente mais e mais da superfície (meio comum). Em pouco tempo, num passo a passo desvairado,
embora racional, fomos ao encontro de toda a intensidade que estávamos a buscar
por toda uma vida. E aqui estamos...Eu, no cuidar, punir, acarinhar, castigar, privar,
libertar, moldar...Extirpando males e cultivando o bem...Ela, a se conhecer,
a se doar e em mim depositar a confiança tão necessária na busca incessante da
plenitude...Enfim, nada fácil. Mas, conseguiremos com tudo que há dentro de nós.
Após
tantas experiências frustrantes no trilhar da vida, enfim, os caminhos se
cruzaram exatamente aqui e resultaram nessa conquista: REAL AMOR...Aqui provamos e
cultivamos esse sentimento proporcionado pelo BDSM...Por assim, tal mundo, ser
inerente a nossa natureza...É no
que acredito.
Dom Mars
Em, 06/09/2015
TEXTO:
AMOR & BDSM
O
título está bem exposto ? Seria amor e BDSM ou BDSM e amor ? Pode parecer a
mesma coisa, mas não é. No assunto em pauta, a “ordem dos fatores ALTERA o
produto”. Ou seja, se o amor vem antes do BDSM, então tal relacionamento –
perdoem-me os que discordam – pode estar malfadado ao fracasso.
Nos
relacionamentos baunilha, geralmente o amor vem antes do sexo. Como ? Primeiro
se conhece a cara metade, trava-se a amizade e o entendimento, namora-se,
conquista-se, sai-se de mãos dadas, janta-se fora, vai-se ao cinema, manda-se
rosas e bombons, troca-se juras de amor, promete-se casamento (com os dedos
cruzados né ? *RR*), conhece-se a família do outro, etc... (não necessariamente
nesta ordem e – felizmente – não necessariamente TODOS estes atos elencados
*RR*), enfim, pratica-se uma série de procedimentos e atitudes que se
intitulariam “conquista ou sedução” que se iniciariam desde a paquera e a troca
de telefones até o surgimento do “Amor”.... Amor ? Que amor ?... Ora, o amor
consequente dos comportamentos acima e para os quais o mesmo foi direcionado. O
velho, famoso e meloso amor baunilha que bem conhecemos e que estampam desde
belos poemas e contos até folhetins e fotonovelas “brega”. Seja em maior ou
menor intensidade, sincero ou ilusório. pretenso ou gratuito.
Assim,
como conseqüência e evolução deste amor,
surgiria o sexo entre o casal, seja mediante a tática caricato-cafageste do
“cobrar uma prova de amor”, seja pela assunção daquele famoso pensamento
feminino do “amo ele, então posso me entregar, porque não vou transar, vou
fazer amor”.
Ironias
e sarcasmos a parte, pode parecer que esta minha narrativa remonta-se a um
relacionamento amoroso do século passado, mas – admitamos – até hj as coisas se
processam desta forma, seja em maior ou menor intensidade, pois, até hj., são
poucas as mulheres que conseguem o que a maioria dos homens consegue: Fazer
sexo sem nenhum sentimento maior.
E
por favor. Quando falo em amor como prerrogativa no sexo baunilha, não
precisamos exagerar e chegar naquele sentimento insano que mal cabe dentro de
nós. Podemos apenas nos referir a uma atração maior, um sentimento, uma
admiração, uma paixão...
Mas
onde quero chegar ?... Suponhamos que, exatamente por este amor - surgido de
relacionamento, procedimentos e causas baunilha - um dos membros do casal acaba
por aceitar ter uma relação BDSM. Não por seu interesse nesta prática e nem
mesmo por uma mera curiosidade em descobrir se tem “dom” para o D/s ou S&M.
Mas sim E APENAS para agradar seu parceiro. Este sim amante da pratica BDSM.
Desta forma, a relação BDSM entre os dois teria nascido do amor baunilha e teve
em si a causa (ou desculpa) para sua prática.... Lembram-se da minha idéia do
“São, Seguro, Consensual e Honesto” ? Teríamos aí um relacionamento que
explicitamente não é honesto, uma vez que uma das partes não estaria praticando
o BDSM PELO PRAZER DO BDSM e sim por amor, e o que é mais grave, por um amor
baunilha.
Isso
ocorre muito quando um dos membros do casal se agrada do BDSM e o outro não, ou
até desconhece tal fantasia. Assim, o primeiro, convenceria o segundo a
experimentar e praticar o BDSM, não em busca do prazer, de uma nova experiência
ou da descoberta de seu “dom” como sub ou mesmo como Domme, mas sim como “uma
prova de” ou “em nome do” amor (mais uma vez lembro: amor baunilha).
Estaríamos
aí diante do maior exemplo de “transa apimentada” e “intenções excusas” no
BDSM. Mesmo porque, convenhamos, este amor nada tem a ver com BDSM, em nada o
ajuda, não tem com ele cumplicidade, a atitude do “convencedor” foi sem dúvida
cafajeste e não existiria aí qualquer honestidade do ponto de vista do surgimento
de uma relação verdadeiramente BDSM. Pode ser até que a parte “convencida”
acabe por se agradar do BDSM. Mas isso não abonaria a conduta com a qual a
mesma foi encaminhada a este nosso universo.
Num
grau ainda mais elevado de falta de honestidade, teríamos aquela pessoa que,
amando a outra e em nome deste amor ou por medo de perder sua cara metade,
aceita e se empenha em praticar o BDSM para conquistar o amor de quem ama, numa
atitude, diga-se de passagem, ineficiente, porque o amor que esta pessoa quer é
o baunilha e o amor que pode – com muito esforço e dissimulação – conseguir, é
o AMOR BDSM. Em suma, ela não procura um Mestre, um dominador ou um dono. Ela
procura um namorado, uma paixão para suprir suas carências afetivas, e imagina
que o BDSM seja um bom caminho para isso.... Ledo engano.
Mas...
então não existe amor no BDSM ? Nunca ? Nem depois de uma relação consolidada
nos mais honestos parâmetros de envolvimento ?
....
TOUCHÉ....
...
Aí
chegamos à outra forma de ligação do BDSM com o amor. Ou seja, o Amor DEPOIS do
BDSM. Aquele amor que surge “NO” BDSM e que eu intitularia de “AMOR BDSM” .
Tem
radicais que dizem não existir o mesmo... Coitados, não sabem o que estão
perdendo *rs
...
Será que não sabem mesmo ? Será que o que existe aí não é um imenso “tabu” que
proíbe ou inibe a exibição e assunção deste amor ? Se perguntarmos à maioria
destes céticos o que sentem por seus parceiros de maior constância e longa data
e relacionamento no BDSM, e se eles respondessem com sinceridade e exaustão,
impreterivelmente discorreriam uma série de sentimentos, comportamentos,
atrações e admirações que só poderiam ser traduzidas numa única palavra: Amor.
Será
que o preconceito e o medo de envolvimento não os deixa ver que o sentimento
que alguns tentam (as vezes inutilmente) sufocar não é um amor baunilha, mas
sim um amor legitimamente BDSM ? Será que julgam que amar torna o Mestre mais
frágil ou a escrava mais “exigente” ?
Realmente,
numa relação “bate/apanha libertina” pode ser menos comum surgir tal sentimento
(estou sendo radical ? Desculpe). Mas no outro pólo do BDSM, na relação 24/7,
dá para se imaginar esta existindo em sua plenitude sem que surja ou exista um
amor honesta e legitimamente BDSM ?... Bem... como extremos são sempre mais
fáceis de ser analisados, fiquemos na “média”. Ou seja, no relacionamento D/s
mais comum e mais básico, os quais - acredito - ainda são a maioria.
Mesmo
nele, o verdadeiro, honesto e honrado relacionamento BDSM é algo muito
complexo. O nível de envolvimento, de cumplicidade, de respeito, dedicação,
amizade, libido, atração, convívio, confiança, entrega, segurança, caráter,
honra e outros que surgem, se desenvolvem e solidificam é tão imenso que é
IMPOSSÍVEL imaginar que com tudo isso não possa naturalmente surgir um
sentimento mais forte. Dá para imaginar numa relação baunilha incluir com
intensidade tudo o que elenquei acima e que são premissas básicas numa relação
BDSM honesta ? Iria ser um Amor que novela mexicana nenhuma conseguiria
conceber. *rs
Logo,
como imaginar que num relacionamento onde exista com tamanha intensidade todas
estas qualidades de caráter e relacionamento, os praticantes possam se manter
“imunes” ao surgimento de um sentimento maior que só poderíamos denominar de
amor ? Impossível não ? Ou no mínimo IMATURO.
Sim,
Imaturo. Porque um sentimento tão imenso e lindo, surgido honesta e
naturalmente consequente desta relação legitimamente BDSM, o verdadeiro Amor
BDSM, acabaria por ser evitado, sufocado e ignorado pelos praticantes. E em
nome de que ? Porque ?
A
escrava por julgar que não pode almejar nem muito menos cobrar de seu Mestre um
comportamento e consideração por ela por vezes mais “amoroso e romântico” ou
até mesmo com medo que o seu amor não seja correspondido ou, pior, tendo
vergonha e receio de expor o mesmo por julgar que seu Mestre não irá se agradar
dele, abominá-lo ou julgar seu comportamento baunilha ou desonesto.
O
Mestre por outro lado, sufocando o surgimento ou exposição deste sentimento por
medo que a conseqüência dele seja um romantismo, um carinho, uma sensibilidade
e um comportamento com sua escrava que poderia acabar sendo encarado de
incompativelmente baunilha, “derretimento do Mestre banana” ou até “perda de
pulso”.
Já
imaginaram isso acontecendo com ambos na relação ao mesmo tempo ? Que
desperdício, não ? Ao que os tabus e preconceitos nos levam... tsc tsc...
Este
amor que surge no BDSM, “É BDSM”. É legitimamente BDSM. E deve ser cultivado,
ampliado, respeitado e compartilhado pelos praticantes dessa nossa maravilhosa
fantasia/ideal de vida, que deveriam ter orgulho de ter dentro de si tal
sentimento que só demonstra a sensibilidade, a cumplicidade e a intensidade que
deve reinar sempre em qualquer relação honesta e assumidamente BDSM.
Ele
não encaminha os praticantes ao baunilha, nem enfraquece suas posições e
práticas D/s ou S&M. Ao contrário. Por vezes até as solidifica, amplia e
enaltece. Então, porque evitar, esconder, sufocar, renegar ou se envergonhar de
amar no BDSM ?
Concluindo,
existe amor no BDSM sim. E muito. Afinal, o Mestre não é um Monolito frio e
insensível para conseguir manter-se alheio e inexpugnável a tudo de especial
que sua sub lhe oferece e nem esta um ser acéfalo e desprovido de sentimentos
senão o respeito e dedicação ao seu Dono.
Em
suma, nunca faça-se BDSM por amor. Mas ame-se, e ame-se muito, assumindo-se sem
vergonha ou medos esse amor que surge no BDSM.
É a
minha opinião,
By Mestre
Jot@ SM